quarta-feira, 29 de setembro de 2010

As Dores do Cangaço - Parte IV e V

Olá pessoal, aqui eu irei postar a continuação da história: Partes 4 e 5.


Parte IV
 No outro dia, logo após algum tempo de viagem, o bandoleiro já começa a ouvir as águas que corriam na correnteza do rio que a mulher havia lhe falado. E logo que chega a sua margem, avista seu longo percurso que desce, até o fundo do vale.
Prossegui em sua margem alguns metros, até que por descuidado tropeça em uma raiz e cai naquela gélida água. Luta para não afogar-se, uma tarefa difícil para um homem que nunca tinha nadado na vida. E a correnteza vai levando-o rio abaixo, ele consegue se agarrar em alguma coisa que flutua. Percebe que se trata de um tronco de alguma árvore que deve ter sido quebrada por um trovão de alguma tempestade que ocorreu em algum lugar longínquo que está dentro do percurso do rio, conclui ele pelas marcas de queimado em sua borda.
O rio logo mais para frente faz uma curva, mas o tronco segue até a margem em um vale, que incrivelmente se aparenta ao que a mulher falou.
Encharcado e cansado ele se estira pela areia e descansa um pouco. Mas então se lembra em avaliar os estragos: praticamente todas as suas balas estavam molhadas, ou seja, já eram completamente inúteis. As poucas balas que sobraram, que ele achava que estavam secas, enchiam um pouco mais da metade da capacidade do tambor de sua pistola, cinco balas apenas.
            Levantou, e passou a olhar aos arredores e procurar a cidade em que o maldito Joaquim se encontrava. Apurou a vista e viu apenas um conjunto de pequenas casas, que dificilmente ele acharia que era uma cidade, quem sabe uma aldeiazinha. E jamais pensaria que ele estava ali.


             Parte V 
            A cidade estava deserta. Ela era composta de uma pequena rua principal, todas as casas de madeira com exceção de uma delegacia feita de alvenaria para abrigar os mais terríveis bandidos aquele vilarejo já conheceu.
            Entra em um estabelecimento que lhe lembra um barzinho. Senta-se num banco ali no balcão, avista o barman e lhe diz:
            - Eu quero alguma coisa pra beber, chefia!
            - Aqui só tem uísque, forasteiro!
            - Deve servir...
            O barman puxa um copo e uma garrafa com um líquido de aparência muito estranha e enche o copo. O cangaceiro pega o copo e num único gole, vira a bebida dentro da garganta. Uma estranha sensação lhe recobre todo o corpo, e se sente mais vivo.
            - Joaquim, se encontra?
            - Na rica casa um pouco antes do fim da cidade.
            Finalmente se levanta do banco, joga algumas moedas, remanescentes de algum saque que havia feito há muito tempo e sai do bar.
            Põe-se a caminhar até o lugar, e para na frente da casa. Observando que chegou seu momento, o momento de sua vingança, o momento que esperava há anos.
            Saca os revolveres, e com um único pontapé destrói a porta, que cai no chão com um baque seco...
            - Joaquim! Apareça seu covarde! – chama ele com um grito que lembrava um rugido de um leão prestes a caçar.
           De lá do alto da escada, que estava posta logo em frente à porta aparece um homem. Era um homem bem vestido, com a barba feita e que ostentava um grande bigode. 



Aí está. Até a próxima onde postarei a última parte da história...

Queria aproveitar rapidinho para dar uma dica duma matéria que encontrei por aí na internet que eu achei bem engraçada:
http://whiplash.net/materias/humor/000593.html

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

As Dores do Cangaço - Parte II e III

Olá pessoal,aqui é o Johnny Thunders.
Pela demora de postar as demais partes da história, farei questão de postar a parte 2 e 3. Espero que gostem!

Parte II
Quando volta a sã consciência, percebe estar num casebre. Talvez estivesse delirando, ou quem sabe até morto e isso não passava de imaginação sua.
Não, era real demais!
Nem um sonho se comparava ao fato de estar deitado em alguma coisa macia longe do sol que o castigava. Após alguns minutos pensando, tentando acha alguma resposta, reuni forças para se levantar. Seu corpo parecia feito chumbo, mas com um único pulo se levanta.
Encontra uma jarra de água logo ao seu lado e com a sede a que estava, ela não dura mais do que poucos segundos. Após sair por uma grande porta, que era a única saída possível, percebe que estava num celeiro de alguma casa que ficava muito próxima a algo que até agora só havia ouvido falar, uma porção imensa de um azul puro se arrastava até onde a vista podia alcançar; por um segundo sentiu que poderia ter uma vida de novo diante de tal beleza, tentava se recordar do nome daquilo, talvez o velho que lhe apontara o sul já houvesse dito, de súbito a palavra surge em sua mente, tão rápida quanto um piscar de olhos: MAR. Uma sensação de prazer lhe cobre os pensamentos, quem sabe pudesse esquecer a vingança, o ódio que sentia...
Não.
A razão lhe mandava continuar em sua busca, mesmo que tudo que ele conhecia não passasse de nada perto do desconhecido que estava prestes a enfrentar.
Caminhando pela praia, avista alguma coisa se mexendo ao longe, uma mulher, que não hesita em se aproximar de um estranho e mal aparentado cangaceiro.
- O que um homem como você fazia andando pelas terras de meu pai? Buscando água? Porque você sabe que por aquelas bandas, você só encontrará a morte... – diz ela com uma voz doce o bastante para fazê-lo silenciar todos os seus pensamentos.
            - Eu fugia da dor, lamentava minhas perdas e abraçava a vingança como a mais obstinada de todas as obsessões...
            - Fala como um alguém que está cego pela sua própria honra, Senhor. Seja como for, eu estava cruzando de carroça àquelas vastidões pertencentes a meu pai depois de resolver alguns negócios da família e te vejo lá no chão desmaiado. A principio pensei que se tratava de mais um cadáver de algum idiota que ousara tentar a própria sorte, mas logo que percebi que você estava vivo tratei de levá-lo comigo pra que não fosse mais um desgraçado alimento de urubus. Você passou vários dias de viagem inconsciente, logo não foi grande estorvo para mim...
            - Eu não estou aqui para conversas, isso não me importa, talvez fosse melhor que eu morresse pelo menos assim eu não sentiria mais a minha dor. Mas como as cartas dadas pelo meu destino foram essas, terei de continuar a minha busca...
            - Conhece algum fazendeiro chamado Joaquim?
            A moça balançou a cabeça afirmativamente.
            - Mas ele está numa cidade próxima, há alguns dias daqui, ele era um antigo sócio de meu pai. Aquele velho maldito! Quase fez meu pai ir à falência.
            - Siga a corredeira que está no interior de um bosque a oeste daqui, que deságua próximo a um vale e encontrará o que procura...
            Sem nem agradecer a informação, o cangaceiro continua a oeste. Sentindo na perna leves batidas de seus coldres, pesados por causa de seus revolveres.

Parte III
Na fraca iluminação do crepúsculo, viam-se no horizonte as silhuetas de serras e bosques que se estendiam por grandes extensões de terra. Ouviam-se ao longe, fracos uivos de alguma alcatéia que esperava pela sua rainha lua para que assim começassem a sua caça durante a noite.
            A fogueira estava acesa, e o cangaceiro já se deliciava com seu calor, naquela noite fria e sombria, dentro daquele bosque que acabara de entrar.
Depois de algum tempo, recomeçaram os uivos, só que estavam pertos o bastante para que o cangaceiro pensasse em alguma coisa rapidamente. E então surpreendido decide subir em algum galho próximo do chão, de onde saca seu revolver e mete bala nas ferozes criaturas aparecem. O sangue jorra dos corpos de pelagem negra, que mesmo depois de alguns saltos não conseguem agarra-lo.
Porém um gigantesco lobo consegue que lhe ferir seu braço com um monstruoso salto, deixando uma ferida aberta, sua alegria não dura muito, pois a desgraçada criatura não demorou a perecer com um tiro no crânio.
Logo após alguns minutos, depois de o perigo passar, desce da árvore e naquela noite não consegue dormir direito, por medo de que apareça nova alcatéia querendo uma revanche.


Bom, aí está...  Então até a próxima postagem...

domingo, 19 de setembro de 2010

As Dores do Cangaço

Eu iria continuar a postar meus outros poemas, mas a pedido de um amigo começarei a postar uma história que fiz a pouco tempo.
Tudo começou com a professora de História pedindo para escrever uma história qualquer que se passe na época da República Oligárquica Brasileira. Eu até que fiquei bem animado com a idéia e já estava com vontade de escrever sobre um anti-herói e também sobre alienígenas, mas não, não escrevi sobre alienígenas (mesmo que a ideia parecesse legal)  porque iria acabar com a minha história que ficaria meio sem nexo.
Em todo caso aí esta o primeiro capítulo:

As Dores do Cangaço


            Parte I
O calor do sertão fazia com que o cangaceiro enlouquecesse.
            Não tinha mais a consciência de seus atos, pois sua sede já nublara toda a sua capacidade de pensar em algo diferente do que aquele sertão sufocante. Mas um pensamento ainda passava pela sua mente, um sentimento tão desesperado, que lhe dava forças para continuar.
Já imaginava o que seria de seria daquele puto fazendeiro no momento em que o revesse, o sangue quente correria da garganta dele e o cangaceiro deliciaria-se de cada segundo daquele momento. Não existe nada pior e nem tão mais doce do que a vingança...
A noite se aproximava com sua desesperada lentidão que poderia tirar a sanidade do mais puro ser do mundo e transforma-lo no mais sujo e desonesto monstro, pois cada hora parecia aumentar a sua inquietude.
Diante daquela fogueira que acabara de acender com alguma erva já esquecida pelo tempo, via a psicodélica dança dos pequenos demônios em brasa e se lembrava daquela época que ficará marcada pelo resto de sua vida...

1906
            O sol amanhecia e atravessava a pequena janelinha do quarto, e não tardou a bater no rosto enfermo de Jussara da Fonseca que se contorcia de dor. Joséfino Marques notando que sua esposa precisava de remédios, parte até a fazenda do famoso Coronel Fazendeiro Joaquim Prado de Melo, que se fazia famoso por aqueles sertões pela sua atenção aos demais. Após longo diálogo explicando a situação, Joséfino concorda em troca do remédio, fazer tão simples ato: votar no candidato indicado pelo Coronel Joaquim.
            As eleições transcorrem bem e aquele Paulista à qual Joséfino vota realmente ganha a eleição, mas o remédio que havia pego para sua esposa parece não cura-la daquele mal. E a cada dia, ela piorava, até então não resistir e morrer...
            Só depois descobre que havia sido enganado, que sua esposa havia contraído varíola e que não havia nenhuma cura possível na época.
            Talvez o coronel já houvesse sido noticiado sobre a morte de Jussara, ou talvez fosse aquela viagem de negócios que fazia todo o mês para levar o café excedente para que o governo comprasse, seja lá o que for o fato é que o coronel e fazendeiro Joaquim não estava mais em sua fazenda quando Joséfino apareceu por lá.
           
Atualmente
Já parece ter passado muitos anos desde que Joséfino havia se aliado a um grupo de cangaceiros por falta de esperança, e também parece que foi em alguma outra vida que ele sentia o prazer de viver ao lado de sua esposa, que agora não passa de pó...
Logo após despertar das lembranças daquele terrível pesadelo a que vivenciou, bebe o pouco de água que resta em seu cantil, e continua sua viagem rumo ao sul, onde aquele velho marinheiro que já está à milhas de distancia disse ter sobrevivido a uma rebelião e também onde encontraria o seu destino atrás daquele desgraçado fazendeiro.
O cangaceiro continuava a caminhar.
Nada mais lhe importava, a sua vida já não era mais a mesma, pois ele não tinha mais vida, ele era um espírito de vingança que vagava apenas esperando pelo seu alvo. Fadado ao seu destino, ele já estava nas mãos do capeta, que já se deliciava com simples pensamento de poder torturá-lo e vê-lo sofrer.
Os poucos cactos que se viam nos arredores pareciam tristes figuras condenadas ao esquecimento naquela terra estéril. Não tardou a ficar exausto e desidratado persistindo até esgotar os seus últimos esforços que o fez ficar ali deitado naquela terra dura e seca depois de suas pernas cederem ao cansaço.


Bom aqui está a primeira parte da história, ela é composta de seis partes. 
Espero que gostem! Até a próxima postagem onde continuarei a história.


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Bom... Não sei ao certo o que escrever por ser minha primeira postagem, mas aqui eu postarei um de meus poemas que julgo ser um de meus primeiros, as rimas estão meio ruins, é porque na época que escrevi (acho que no meio do ano passado) eu ainda não sabia fazer isso de uma forma em que as estrofes ficassem bem dividas ou com uma métrica boa... Lá vai então:



Reflexo de um Mundo

Em um vidro emoldurado
Mora um mundo ao avesso
Onde futuro é passado
E ninguém é travesso
Pois são todos escravos
De um mundo alternativo
Que a muito são aparentados.

Bom é mau
Verdade é mentira
Por trás de um sorriso
Esconde-se a ira
Que não conhece juízo
De um mundo a refletir.

Essa porta dimensional
Muitos segredos escondem
Não só beleza ornamental
Como conversas de um homem
Que dão oportunidades
Para uma possível rebelião
De desgraçadas imagens
Que não agüentam a repetição.

Libertai-vos ó seres desalmados,
Pois não suportastes mais
Tempos, a viver exilados.


Aí está. 
Eu me recordo claramente a minha intenção quando o escrevi, lá estava eu em algum dia (a qual não me lembro certamente a data) a admirar minha imagem refletida num espelho de casa, quando repentinamente me dá uma espécie de calafrio e começo a imaginar como se a imagem refletida tivesse vida em alguma outra dimensão (quem sabe) e estivesse apenas esperando para que pudessem se revoltar e conseqüentemente se libertarem...