domingo, 19 de setembro de 2010

As Dores do Cangaço

Eu iria continuar a postar meus outros poemas, mas a pedido de um amigo começarei a postar uma história que fiz a pouco tempo.
Tudo começou com a professora de História pedindo para escrever uma história qualquer que se passe na época da República Oligárquica Brasileira. Eu até que fiquei bem animado com a idéia e já estava com vontade de escrever sobre um anti-herói e também sobre alienígenas, mas não, não escrevi sobre alienígenas (mesmo que a ideia parecesse legal)  porque iria acabar com a minha história que ficaria meio sem nexo.
Em todo caso aí esta o primeiro capítulo:

As Dores do Cangaço


            Parte I
O calor do sertão fazia com que o cangaceiro enlouquecesse.
            Não tinha mais a consciência de seus atos, pois sua sede já nublara toda a sua capacidade de pensar em algo diferente do que aquele sertão sufocante. Mas um pensamento ainda passava pela sua mente, um sentimento tão desesperado, que lhe dava forças para continuar.
Já imaginava o que seria de seria daquele puto fazendeiro no momento em que o revesse, o sangue quente correria da garganta dele e o cangaceiro deliciaria-se de cada segundo daquele momento. Não existe nada pior e nem tão mais doce do que a vingança...
A noite se aproximava com sua desesperada lentidão que poderia tirar a sanidade do mais puro ser do mundo e transforma-lo no mais sujo e desonesto monstro, pois cada hora parecia aumentar a sua inquietude.
Diante daquela fogueira que acabara de acender com alguma erva já esquecida pelo tempo, via a psicodélica dança dos pequenos demônios em brasa e se lembrava daquela época que ficará marcada pelo resto de sua vida...

1906
            O sol amanhecia e atravessava a pequena janelinha do quarto, e não tardou a bater no rosto enfermo de Jussara da Fonseca que se contorcia de dor. Joséfino Marques notando que sua esposa precisava de remédios, parte até a fazenda do famoso Coronel Fazendeiro Joaquim Prado de Melo, que se fazia famoso por aqueles sertões pela sua atenção aos demais. Após longo diálogo explicando a situação, Joséfino concorda em troca do remédio, fazer tão simples ato: votar no candidato indicado pelo Coronel Joaquim.
            As eleições transcorrem bem e aquele Paulista à qual Joséfino vota realmente ganha a eleição, mas o remédio que havia pego para sua esposa parece não cura-la daquele mal. E a cada dia, ela piorava, até então não resistir e morrer...
            Só depois descobre que havia sido enganado, que sua esposa havia contraído varíola e que não havia nenhuma cura possível na época.
            Talvez o coronel já houvesse sido noticiado sobre a morte de Jussara, ou talvez fosse aquela viagem de negócios que fazia todo o mês para levar o café excedente para que o governo comprasse, seja lá o que for o fato é que o coronel e fazendeiro Joaquim não estava mais em sua fazenda quando Joséfino apareceu por lá.
           
Atualmente
Já parece ter passado muitos anos desde que Joséfino havia se aliado a um grupo de cangaceiros por falta de esperança, e também parece que foi em alguma outra vida que ele sentia o prazer de viver ao lado de sua esposa, que agora não passa de pó...
Logo após despertar das lembranças daquele terrível pesadelo a que vivenciou, bebe o pouco de água que resta em seu cantil, e continua sua viagem rumo ao sul, onde aquele velho marinheiro que já está à milhas de distancia disse ter sobrevivido a uma rebelião e também onde encontraria o seu destino atrás daquele desgraçado fazendeiro.
O cangaceiro continuava a caminhar.
Nada mais lhe importava, a sua vida já não era mais a mesma, pois ele não tinha mais vida, ele era um espírito de vingança que vagava apenas esperando pelo seu alvo. Fadado ao seu destino, ele já estava nas mãos do capeta, que já se deliciava com simples pensamento de poder torturá-lo e vê-lo sofrer.
Os poucos cactos que se viam nos arredores pareciam tristes figuras condenadas ao esquecimento naquela terra estéril. Não tardou a ficar exausto e desidratado persistindo até esgotar os seus últimos esforços que o fez ficar ali deitado naquela terra dura e seca depois de suas pernas cederem ao cansaço.


Bom aqui está a primeira parte da história, ela é composta de seis partes. 
Espero que gostem! Até a próxima postagem onde continuarei a história.


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