Pela demora de postar as demais partes da história, farei questão de postar a parte 2 e 3. Espero que gostem!
Parte II
Quando volta a sã consciência, percebe estar num casebre. Talvez estivesse delirando, ou quem sabe até morto e isso não passava de imaginação sua.
Não, era real demais!
Nem um sonho se comparava ao fato de estar deitado em alguma coisa macia longe do sol que o castigava. Após alguns minutos pensando, tentando acha alguma resposta, reuni forças para se levantar. Seu corpo parecia feito chumbo, mas com um único pulo se levanta.
Encontra uma jarra de água logo ao seu lado e com a sede a que estava, ela não dura mais do que poucos segundos. Após sair por uma grande porta, que era a única saída possível, percebe que estava num celeiro de alguma casa que ficava muito próxima a algo que até agora só havia ouvido falar, uma porção imensa de um azul puro se arrastava até onde a vista podia alcançar; por um segundo sentiu que poderia ter uma vida de novo diante de tal beleza, tentava se recordar do nome daquilo, talvez o velho que lhe apontara o sul já houvesse dito, de súbito a palavra surge em sua mente, tão rápida quanto um piscar de olhos: MAR. Uma sensação de prazer lhe cobre os pensamentos, quem sabe pudesse esquecer a vingança, o ódio que sentia...
Não.
A razão lhe mandava continuar em sua busca, mesmo que tudo que ele conhecia não passasse de nada perto do desconhecido que estava prestes a enfrentar.
Caminhando pela praia, avista alguma coisa se mexendo ao longe, uma mulher, que não hesita em se aproximar de um estranho e mal aparentado cangaceiro.
- O que um homem como você fazia andando pelas terras de meu pai? Buscando água? Porque você sabe que por aquelas bandas, você só encontrará a morte... – diz ela com uma voz doce o bastante para fazê-lo silenciar todos os seus pensamentos.
- Eu fugia da dor, lamentava minhas perdas e abraçava a vingança como a mais obstinada de todas as obsessões...
- Fala como um alguém que está cego pela sua própria honra, Senhor. Seja como for, eu estava cruzando de carroça àquelas vastidões pertencentes a meu pai depois de resolver alguns negócios da família e te vejo lá no chão desmaiado. A principio pensei que se tratava de mais um cadáver de algum idiota que ousara tentar a própria sorte, mas logo que percebi que você estava vivo tratei de levá-lo comigo pra que não fosse mais um desgraçado alimento de urubus. Você passou vários dias de viagem inconsciente, logo não foi grande estorvo para mim...
- Eu não estou aqui para conversas, isso não me importa, talvez fosse melhor que eu morresse pelo menos assim eu não sentiria mais a minha dor. Mas como as cartas dadas pelo meu destino foram essas, terei de continuar a minha busca...
- Conhece algum fazendeiro chamado Joaquim?
A moça balançou a cabeça afirmativamente.
- Mas ele está numa cidade próxima, há alguns dias daqui, ele era um antigo sócio de meu pai. Aquele velho maldito! Quase fez meu pai ir à falência.
- Siga a corredeira que está no interior de um bosque a oeste daqui, que deságua próximo a um vale e encontrará o que procura...
Sem nem agradecer a informação, o cangaceiro continua a oeste. Sentindo na perna leves batidas de seus coldres, pesados por causa de seus revolveres.
Parte III
Na fraca iluminação do crepúsculo, viam-se no horizonte as silhuetas de serras e bosques que se estendiam por grandes extensões de terra. Ouviam-se ao longe, fracos uivos de alguma alcatéia que esperava pela sua rainha lua para que assim começassem a sua caça durante a noite. A fogueira estava acesa, e o cangaceiro já se deliciava com seu calor, naquela noite fria e sombria, dentro daquele bosque que acabara de entrar.
Depois de algum tempo, recomeçaram os uivos, só que estavam pertos o bastante para que o cangaceiro pensasse em alguma coisa rapidamente. E então surpreendido decide subir em algum galho próximo do chão, de onde saca seu revolver e mete bala nas ferozes criaturas aparecem. O sangue jorra dos corpos de pelagem negra, que mesmo depois de alguns saltos não conseguem agarra-lo.
Porém um gigantesco lobo consegue que lhe ferir seu braço com um monstruoso salto, deixando uma ferida aberta, sua alegria não dura muito, pois a desgraçada criatura não demorou a perecer com um tiro no crânio.
Logo após alguns minutos, depois de o perigo passar, desce da árvore e naquela noite não consegue dormir direito, por medo de que apareça nova alcatéia querendo uma revanche.
Bom, aí está... Então até a próxima postagem...
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